Ale Labelle, Dani Buarque, Daniely Simões e Joan Bedin, da The Mönic (Marcelle Stavale)
Ale Labelle, Dani Buarque, Daniely Simões e Joan Bedin, da The Mönic (Marcelle Stavale)
Reportagem Especial

Livre, The Mönic lança acústicos, mas já trabalha em novo álbum

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A banda The Mönic preza pela liberdade. Inclusive, para mudar os próprios planos e se adaptar a um momento diferente, com pandemia e quarentena. Isso sem deixar de estar ativa e criando, mesmo que transformando suas próprias músicas. Dessa forma, surgiu o projeto acústico que vem sendo lançado pelo grupo este ano.

Formada em 2018, a The Mönic lançou Deus Picio, seu primeiro álbum, já no ano seguinte, pela gravadora Deck. Daniely Simões (bateria), Joan Bedin (baixo), Dani Buarque (guitarra e vocais) e Ale Labelle (guitarra e vocais) também vinham com uma sequência bacana de clipes.

Para 2020, o plano do grupo seria completar a série de clipes de Deus Picio, além de compor e gravar seu segundo álbum. Mas, com a quarentena em função da pandemia de covid-19, a banda adiou esses projetos e incluiu um EP acústico em seu caminho. Mesmo que para isso fosse preciso ‘abrir a cabeça’ para o formato.

As músicas são quase todas as que fizeram parte de Deus Picio. Mas, como explica Dani Buarque em entrevista ao Xandão, colunista do Bem Rock, a banda vem trabalhando para que as canções não sejam apenas versões com violão. A única novidade entre as acústicas é Aquela Mina, que não havia entrado no álbum.

A música, inclusive, é mais uma prova da liberdade na The Mönic. Os versos foram escritos pela baixista Joan Bedin, que se inspirou na sua então namorada pra criá-los. ‘São poucas as bandas de rock — e até mesmo fora dele — que falam de relacionamento entre duas mulheres, um som feito de uma ‘mina’ para outra. Assim nasceu esse punk que fala de amor lésbico, e amor em geral, de forma leve e divertida’, afirma Joan.

Por email, as integrantes da banda contaram um pouco mais sobre como estão trabalhando e planos futuros.

O álbum Deus Picio acabou de fazer um ano, mas passou uma boa parte em quarentena. Vocês ainda pretendem trabalhar bastante em cima das músicas dele? Ainda não sabemos quando poderão voltar a fazer shows, mas pensam que Deus Picio seja a base ou imaginam já um novo álbum como o principal dos shows?

Dani Buarque: Nossa ideia inicial era lançar videoclipes e trabalhar todas as músicas. Já tínhamos roteiro e previsão de filmagem para todos. Um deles até ganhamos um edital aqui no ABC (região do ABC paulista). O final de semana que antecedeu a quarentena foi quando gravamos a primeira diária do nosso quarto clipe do álbum, “Andy & I” (depois dele faltariam 3 ainda – “Refém”, “Maldizer” e “Permission”). Tivemos que mudar o roteiro pra conseguir gravar neste mês com segurança porque a ideia original era uma festa no apê e um terraço noturno. Infelizmente acho que não vamos gravar todos os clipes porque não queremos esperar tanto tempo pra lançar um novo álbum. Dentro do nosso cronograma iríamos usar o primeiro semestre pra levantar o álbum novo e o segundo pra gravar e lançar, provavelmente, mas tudo foi adiado porque também acabamos querendo fazer esse acústico no meio do caminho.

Ainda estavam num ritmo legal de shows neste início de ano ou 2019 estava mais forte?

Ale Labelle: Janeiro e fevereiro costumam ser meses mais parados de show pra gente em comparação com o resto do ano, tanto que costumamos aproveitar esses meses para compor mais. Em janeiro deste ano até fizemos uma viagem pra compor numa casa no mato (em Cotia, próximo a São Paulo). Mas o show que fizemos em março com o Violet Soda, Miami Tiger e Putz foi um dos maiores da nossa vida. Foi bem marcante pra gente e foi nosso último show antes da quarentena.

E como foram as sessões para compor novas músicas? Em que ponto vocês estão para lançar um segundo álbum?

Dani Buarque: Desde que começamos o EP demos menos atenção para as músicas novas. Mas tá andando em um ritmo legal e natural. Tem muitas músicas já tomando um formato bom. E algumas já completinhas com melodia de voz e letra. Com certeza tudo estaria mais rápido se pudéssemos tocar juntas, mas estamos fazendo o que dá pra compor a distância.

A sonoridade que vocês encontraram até agora é a que planejam para os próximos trabalhos? Ou pode rolar algo um pouco mais diferente?

Ale Labelle: A gente sempre está explorando outras sonoridades. As quatro integrantes da banda têm gostos distintos, então cada uma procura incluir elementos diferentes de acordo com as respectivas inspirações e referências. Acredito que nenhuma de nós se contenta em fazer o mesmo sempre. A vida é uma aprendizagem contínua e nós estamos em constante mutação. Ignorar isso seria um desperdício. Claro que temos as nossas raízes, um apego ao rock e às suas vertentes, mas prezamos pela liberdade de criação.

Guitarras, baixo, batera e vocais, são todos bem fortes e marcantes, rola um equilíbrio bem legal. Isso é algo pensado, nas composições, arranjos etc? Chegaram a notar ou pensar nesse equilíbrio ou ele vem mais naturalmente?

Ale Labelle: Sempre buscamos valorizar todos os instrumentos. Isso é algo que já temos pré-estabelecido. Quando estamos compondo, às vezes já é pensado no início qual instrumento vai se sobressair numa parte específica da música, etc e tal, mas muitas vezes vai acontecendo no meio do processo também.

A sugestão para gravar um acústico partiu da Deck. Mas em algum momento você já haviam pensado nesse formato ou tocado assim, mesmo que internamente? Foi uma mudança grande ou algo que saiu naturalmente? Pensariam em gravar um álbum de inéditas todo acústico?

Dani Buarque: Acho que não pensaríamos em gravar um acústico nesse momento se não fosse a pandemia e a ideia do Rafa (Ramos, produtor da Deck). Eu comecei o acústico falando que não ia tocar violão, só guitarra (como em “Andy & I”). Mas daí nas outras músicas vi que não tinha nada a ver e comecei a ouvir mais sons acústicos pra conseguir abrir minha cabeça. A gente queria fazer um acústico que não soasse como uma versão da música na guitarra tocada em um violão. Criamos uma vontade de rearranjar tudo e deixar com uma cara diferente de tudo que a gente já lançou. Essa semana lançamos “Just Mad” e mês que vem “Maldizer”. Todas elas com webclipe porque a gente tem uma doença que não consegue lançar só a música e ficar de boinha. (Risos)

Sobre as letras, elas têm mensagens fortes, importantes, atuais. Isso é algo mais pessoal, de quem está compondo? Ou vocês pretendem que as músicas sempre tenham essas mensagens para passar para o público?

Dani Buarque: Como banda podemos dizer que a gente preza muito pela naturalidade e nosso estilo de compor é muito ligado ao mundo real. No mundo real de todas nós a gente ama, chora, curte um rolê, protesta etc. E isso é sobre o que escrevemos, sobre a vida. A gente nunca vai deixar de se posicionar ou falar o que tem vontade em uma música com medo de não agradar a todos. Eu particularmente acho que o melhor jeito de se fazer bom uso de um microfone é passando sua mensagem de forma verdadeira. Não significa que somos as rainhas da verdade, mas é nosso universo, nossa realidade e se isso nos conecta com mais pessoas, lindo, se isso gera discussão sobre um assunto com pessoas concordando ou discordando da gente, mais lindo ainda, acho legal incentivar uma reflexão. A gente dá bastante valor para as letras porque isso é algo que todas na banda curtem na música em geral. Mas isso não quer dizer que a gente também não escreva sobre temas menos reflexivos.

Sobre os clipes, como surgiu a ideia de fazer? Quem curte mais fazer, dar ideias, encenar etc?

Dani Buaque: Todas da banda, se não trabalham, têm uma ligação muito forte com o audiovisual. Os nossos clipes são uma extensão do nosso trabalho. É dificil, trabalhoso, mas a gente se diverte muito fazendo. Geralmente alguém dá a ideia inicial do clipe e depois a gente faz um brainstorm pra desenvolver a história. Todas se envolvem muito nos clipes desde a pré-produção até a pós.