A banda Gods & Punks (Divulgação)
Reportagem Especial

Gods & Punks fecha saga e supera desafios com quarto álbum

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Embalada por ondas sonoras de stoner, doom, prog, doses de psicodelia, a Gods & Punks encarou uma longa viagem espacial, atravessou um buraco negro, caiu em um planeta distante. Mas agora, com sua missão cumprida, encara o desafio de contar essa história entre as incertezas causadas pela pandemia de Covid-19, mudanças na banda e também o cenário rock’n’roll no Brasil.

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Essa viagem espacial, chamada Voyage Series, é composta por quatro capítulos, ou quatro álbuns, começando com Into the Dunes of Doom, de 2017. Depois dele saíram ainda Enter the Ceremony of Damnation (2018), And the Celestial Ascension (2019) e, por fim, The Sounds of The Universe, lançado em 1º de julho.

Uma aventura que, em alguns momentos, a banda temeu não ver o fim. ‘Bate um desespero pensando a gente não vai conseguir acabar. A gente começou uma parada e não vai conseguir acabar’, revela Alê Canhetti, vocalista e letrista da banda.

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Além dele, as Voyage Series começaram com seu irmão, Pedro Canhetti e Rafael Psy Daltro nas guitarras, Danilo Oliveira no baixo e Arthur Rodrigues na bateria. Após o lançamento de 2019, porém, Arthur deixou a Gods & Punks em função de uma mudança para São Paulo, e Gabriel Santiago assumiu as baquetas da banda.

The Sounds of the Universe, que foi adiado para este ano em função da pandemia, é, na ordem cronológica das Voyage Series, seu primeiro capítulo. Além disso, para buscar uma melhor experiência em cada álbum, as próprias músicas, em cada um deles, não estão na ordem pensada para a história.

Em função disso, a banda quer deixar mais claro qual o enredo para quem deseja ter essa experiência. ‘Agora que a história está disponível para as pessoas ouvirem na ordem certa, eu quero fazer disso, em si, uma novidade. E tornar mais didático como fazer isso’, explica Alê Canhetti.

MÁGICA E TECNOLOGIA
As Voyage Series contam a história de um astronauta que, ao atravessar um buraco negro, vai parar em um planeta desconhecido, povoado por habitantes primitivos. ‘Qual é o limite entre tecnologia e mágica. É tecnologia para este astronauta, mas é mágica para estes alienígenas que são mais primitivos’, conta o vocalista.

‘Ele (astronauta) veio como um cara qualquer, mas para os alienígenas é como se fosse um deus. Mas ele tem um interesse completamente egoísta. Eu queria que o final ficasse ambíguo e não fosse feliz para o protagonista. Eu estou bem feliz como ficou a história. Eu só quero deixar mais claro’, diz Alê, revelando também que o fim da história não é positivo para o astronauta.

Alê explica que o Rush foi uma grande inspiração para a composição da história, citando por exemplo o álbum 2112. Mas que usou mais figuras de linguagem e não foi tão direto na composição das letras. ‘A minha maior inspiração para isso, para as letras, para falar dá para fazer, foi o Rush. Eles fizeram o 2112, com uma música de 25 minutos, obviamente com letras mais literais do que as nossas’, conta.

‘É uma história bem de leve. Algumas letras falam sobre isso. Mas na maioria das letras eu faço um paralelo sobre a história e o tema que eu quero falar. É como se fosse uma grande metáfora. Eu não falo sobre o literal do que está acontecendo na história’, continua o músico.

MUDANÇAS E EVOLUÇÕES
Nesta viagem musical de quatro anos, a Gods & Punks foi passando por transformações. Alê Canhetti conta que o lançamento do segundo álbum, Enter the Ceremony of Damnation, em 2018, foi um momento marcante para a sequência das Voyage Series.

‘Quando a gente lançou o álbum a gente estava assim, esquece, não vai dar certo, não vai rolar, relembra Alê. O músico conta que a banda havia anunciado previamente que, naquele ano de 2018, lançaria dois EPs e depois fecharia o trabalho em um álbum.

Alê explica que, dali para frente, a banda decidiu trabalhar sem compromissos. ‘A gente não prometeu nada, o que rolar rolou. Isso deu certo. O terceiro álbum (And the Celestial Ascension) foi muito mais simples de fazer’, relembra.

Esse novo formato, inclusive, ajudou a Gods & Punks a encarar os desafios que surgiram para a conclusão do The Sounds of the Universe. Isso porque Pedro Canhetti tinha um prazo para concluir o álbum antes de fazer uma viagem para fora do Brasil, além da saída de Arthur Rodrigues e a chegada da pandemia de Covid-19.

Para o vocalista, o novo processo funcionou bem. ‘A gente achou o caminho certo assim, errando e fazendo. Agora, com esse álbum novo, a gente falou vamos fazer isso com as músicas antigas. Vamos fazer isso com o básico que a gente fazia antigamente com essa fórmula nova’.

PRÓXIMAS VIAGENS
Além da versão digital, a Gods & Punks irá lançar também um vinil de 12 polegadas do The Sounds of the Universe neste segundo semestre de 2021, pela Forbidden Place Records, dos EUA. A banda, no entanto, também deseja lançar os outros álbuns neste formato.

Enquanto isso, a Gods & Punks aguarda o retorno de Pedro Canhetti ao Brasil, o que deve acontecer em novembro, para poder pensar em shows, torcendo ainda para o guitarrista ficar pelo Rio de Janeiro. ‘Tem uma pequena chance que o Pedro volte e fique em São Paulo. Aí não sei o que acontece’, diz Alê.

E também pretende manter Gabriel Santiago na bateria. ‘A preferência dele é a (banda) Blind Horse. Ele não vai deixar de fazer show com a Blind Horse para fazer com a gente. Mas ele quer tocar, ele gosta de tocar. Se encaixar agenda, ele faz’, explica.

Alê também elogia o baterista. ‘O Gabriel salvou a gente. Não tínhamos como gravar, a gente ficou sem baterista. Ele falou deixa que eu gravo com vocês. Ele matou no peito, aprendeu todas as músicas, a gente ensaiou duas vezes e gravou’, conta, revelando que o solo de dois minutos de bateria na música Nebula Haze foi uma espécie de homenagem e agradecimento ao músico.

Sobre novos lançamentos, a Gods & Punks deve, primeiro, descansar e curtir as Voyage Series. ‘A única coisa que eu penso no futuro, não tão próximo, mas não tão longe também, a possibilidade de um álbum ao vivo bem gravadinho, bem legal. E, talvez, um outro álbum acústico’, diz Alê.

Sonhando com o retorno dos shows, o músico também torce por um público sedento por apresentações ao vivo de rock’n’roll. ‘Está demorando tanto que eu não aceito outra opção que, assim que tudo passar, todo mundo esteja com muita sede de show’, brinca.

Alê revela ainda que, até o momento, a banda tem feito mais sucesso com o público no exterior, citando o Bandcamp como exemplo. ‘A gente tem muito mais reconhecimento de fora do que daqui’, diz. ‘Eu fico feliz porque essas coisas, por ser lá de fora, dá retorno. Isso dá retorno para a gente continuar fazendo música. Paga o próximo disco. Não dá lucro. Não consigo viver disso. Mas eu consigo não gastar com a banda. E continuar fazendo sem ficar me apertando para fazer uma coisa que eu gosto, que eu amo fazer’, finaliza.