Black Pantera no estúdio Showlivre (Reprodução)
Black Pantera no estúdio Showlivre (Reprodução)
Reportagem Especial

Racismo e injustiça social dão o tom para o Black Pantera

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Quem curte um rock’n’roll, rasgado, pesado, um punk rock e outras vertentes, vai ficar ligado com o som do Black Pantera. Mas, além da qualidade musical, esse trio também se destaca pelas mensagens em suas letras. Injustiça social, violência e racismo foram temas constantes nos dois primeiros álbuns e singles do grupo.

“A gente sempre quis falar o que a gente pensa”

Rodrigo Pancho

O último lançamento do grupo é impactante. Baseado na morte no norte-americano George Floyd por um policial, mas também em tantos casos de pessoas pretas assassinadas no Brasil, o Black Pantera lançou a música e o clipe de I Can’t Breath, frase que ficou marcada nos protestos que acontecem desde a morte de Floyd.

Esse posicionamento já coloca o Black Pantera num papel diferente. ‘Cada vez mais a gente vai sentindo o pesso dessa responsabilidade. A gente acaba sendo influenciador real com tudo o que fala e se compromete nas redes sociais’, afirma Rodrigo Augusto ‘Pancho’, baterista do grupo.

O músico conta que a banda até passou a ser cobrada cada vez que um novo caso repercute na mídia. ‘Às vezes acontece algum caso, noticiado na TV, no jornal, e tem gente que cobra – vocês não vão se posicionar, não vão falar?’, relata o músico.

Essa posição política do Black Pantera é discutida entre os integrantes do trio. ‘Nada sem o consentimento da banda. Se for algo na minha rede social que não for do ponto de visa da banda, isso atrapalha. A gente discute tudo, até que o que eu vou postar em minha rede social’.

Rodrigo, porém, diz que o grupo não está ligado a nenhum movimento ou partido político, mas só tem uma certeza – a oposição ao atual governo. ‘Não abraçamos nenhum partido, a gente não apoia político. Temos um lado: a gente é contra o Bolsonaro’, revela. ‘E se vier outro político, que seja de esquerda, e for um governo merda, vamos falar também, como já fizemos no passado.’

O músico receia que a banda possa perder oportunidades, inclusive. ‘A gente tem um currículo suficiente para tocar em mais festivais. Mas nunca ficamos sabendo, nunca foi explícito’. Rodrigo, inclusive, vê que os times dos festivais também seguem a mesma linha da banda. ‘Na maioria dos festivais, produtores, pessoal que carrega e faz o festival, a maioria é fora Bolsonaro’, conta.

Apesar do receio, a banda não tem intenção de mudar o tom. Tanto que está preparando o lançamento de uma trilogia de músicas, todas ligadas ao tema racial. O grupo vai regravar A Carne, da Elza Soares (música de Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisse Capelleti), Identidade, do Jorge Aragão, e Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro, do Rappa. O lançamento deve acontecer na segunda quinzena de agosto.