Deb Babilônia no clipe de Risco (Youtube)
Deb Babilônia no clipe de Risco (Youtube)
Reportagem Especial

Deb and the Mentals muda a língua, mas mantém base grunge

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A pegada grunge vai continuar. Mas o novo álbum de Deb and the Mentals terá novidades. A começar pelas letras. Depois do EP Feel the Mantra, de 2015, e do álbum Mess, de 2017, ambos em inglês, essa banda radicada em São Paulo agora adota a língua portuguesa em suas composições.

Mas, além das letras, há mudanças também na formação o Deb and The Mentals. E elas impactam a sonoridade do grupo. Da formação inicial que gravou Mess, ficaram Deborah Babilônia (vocal) e Bi Free (baixo). A primeira troca aconteceu na guitarra, no início de 2019, com a saída de Guilherme Hypolito para a entrada de Ricardo Dom. No fim do mesmo ano, foi a vez do baterista Tonhão assumir a posição que era de Giuliano di Martino.

“O grunge continua presente, mas misturado”

Deb Babilônia

A mudança para a língua portuguesa começou a ser apresentada ainda em 2019, com três singles: Asfixia, Medo e Risco foram as primeiras composições de Deb em português. Em entrevista ao Bem Rock por email, a artista conta que contou com o apoio de alguns amigos e músicos de outras bandas para estes três singles.

A pandemia de covid-19 já atrasou o Deb and the Mentals, mas a banda vem retomando os trabalhos. Com os cuidados necessários, o grupo retomou os trabalhos para conseguir finalizar a produção de seu segundo álbum e lançá-lo em 2021.

O segundo álbum da banda sairá em 2021, certo? Em que pé está o processo de criação? Como estão conseguindo trabalhar com essa quarentena rolando? Um post recente no Instagram, falando em ‘novidades’, é sobre o novo álbum?

Deb: Sim! É sobre o novo álbum! Gravamos algumas coisas antes do boom do isolamento social e tivemos que dar um pause nas gravações. Estávamos nos unindo para compor desde o início do ano, então digamos que ele já está “pronto”. 😍

Além da mudança para a língua portuguesa, há algo planejado também na sonoridade da banda? Os três singles dão uma pista de como será o novo álbum ou as músicas novas vão por outro caminho?

Deb: Acredito que estamos mais amadurecidos musicalmente. Influências de sonoridade foram acrescentadas com a entrada do Dom e Tonhão. E a mudança para a língua portuguesa, muda bastante coisa, não é? Estamos muito satisfeitos com o resultado!

Em entrevista para o canal Musificando, Deb comenta que o Bi já vinha querendo as músicas em português, e também que a banda tem mais participação na criação das músicas. Ou seja, essa presença maior dos caras na criação tem algum impacto na sonoridade destes lançamentos?

Deb: Nos três singles lançados tivemos a produção e participação nas composições do Gabriel Zander, Cyro, do Menores Atos, Alexandre Capilé, do Sugar Kane, e Alvaro Dutra, que também participou das composições do disco Ponto Cego do Dead Fish. Eu ainda estava perdida no universo em português então tivemos essa gangue sinistra conosco.

No novo disco as composições ficaram mais fechadas entre nós da banda. A produção também mudou e está por conta do Fernando Sanches do estúdio El Rocha.

Sobre as mudanças na banda, elas tiveram algum impacto também musical, como letras em português ou uma sonoridade mais ‘grunge-melódico’?

Deb: Tiveram sim. Eu arriscaria a dizer que misturamos mais influências como new wave, punk, pop e por aí fomos arriscando. O grunge continua presente, mas misturado.

O GG di Martino era o cara dos clipes da banda. Ele vai continuar trabalhando com vocês nos clipes ou também deve rolar uma nova linguagem visual?

Deb: O GG está com os seus projetos pessoais e não estará mais com a gente. Agora estou arriscando, nas artes e também ideias de clipes e os meninos têm me ajudado. O Dom vem sempre com ideias, por exemplo. Nossas referências (nós integrantes), e daí que veio a ideia da linguagem visual toda, são os anos 90, o Punk, metal, grunge… E já tínhamos isso em comum no início da banda.

Você tem uma voz incrível e muito marcante – o mais longe que cheguei foi no vídeo Falling Down: como foi essa ‘descoberta’ para você? Como você cuida dela? Algo especial, treinamentos etc? Sempre pôde usar esse potencial, desde sua banda cover até quando entrou para a P.U.S.?

Deb: Primeiramente, muitooo obrigada! Fico feliz em saber que vasculhou bem e chegou no cover Falling Down do Tom Waits. Eu adoro essa música. Mas enfim, eu fui entendendo que a minha voz era grave e depois de fazer aulas de canto aprendi que eu conseguia transitar pro agudo também. Antigamente eu era mais aplicada e fazia exercícios diariamente, mas hoje em dia faço antes de shows apenas, mas já ajuda muito. Tenho feito 10 minutos de exercício vocal antes de entrar no palco. Não fumo, não bebo alcoólico (é bem raro, apenas drinks), hehehe.

E sim, já usei e abusei dela nas bandas cover na adolescência e também no P.U.S.! Acho que por isso fui chamada para entrar na banda na época! Não tinha nem 18 anos.

Também no Musificando, achei muito legal a história de sua vinda para São Paulo (Deb é de Brasília), principalmente o fato de ter ficado um tempo na casa do Kiko Zambianchi e sua família. Chegou a trocar umas ideias com o Kiko sobre a música que você tinha vontade de fazer?

Deb: Sim, muitas e muitas conversas sobre. A família Zambianchi me apoiou desde que cheguei, foram uma base para mim em SP! Junto com o Kiko surgiu a música Old Boots, por exemplo. Kiko e família me recebiam em sua casa quando eu vinha de tour com o P.U.S..

Inclusive, a família toda é bem musical. Suas filhas também tem projetos musicais bem legais! Ana Júlia transita mais em mpb/trap e Giovanna está com sua banda nova Putz!

E você cita um grande círculo de pessoas, entre músicos, produtores e por aí vai. Como você avalia o peso dessa troca para a existência de uma banda como a Deb and the Mentals?

Deb: Nós da música acabamos nos unindo, pois todos nós estamos no mesmo corre, né. Tive a oportunidade de trabalhar com muita gente talentosa, criativa e foda! Aprendi muito com todos. Até de não sair do que você acredita e se manter firme, não é um caminho muito fácil. Exige dedicação e abrir mão de muita coisa. Mas é assim que a gente se sente feliz!

E dá sim sensação de alívio ver que continua surgindo bandas e projetos musicais legais. Tem rolado muitos movimentos como grupos de whats de bandas para interagirem e produzirem. Ainda bem!