Microfone e fone em estúdio (Pixabay)
Microfone e fone em estúdio (Pixabay)
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Uma banda resiste a seus integrantes

Óculos de sol em oferta

Começando este texto com algumas questões. Quando uma banda acaba? Quem define seu fim? Quantos integrantes precisam sair para você perder o interesse em um grupo? Ou quais integrantes precisam sair? O que pesa mais, mudança dos integrantes ou uma mudança de rota no estilo e no som que a banda faz?

Já me peguei pensando nisso em vários momentos. Por exemplo, fui no show do Dead Kennedys, sem Jello Biafra. Sim, bateu um certo sentimento de culpa. Mas, confesso, foi bem legal. Recentemente, esse tema veio forte novamente para mim. Principalmente pensando nessas definições de integrantes e do som da banda.

Entrevistei para o Bem Rock Mario Testoni, tecladista do Casa das Máquinas, banca icônica formada nos anos 70. Depois de mais de 40 anos o grupo vai novamente lançar um álbum. Além de Testoni, a atual formação tinha ainda um integrante da fase inicial da banda, Marinho Thomaz, baterista.

Tinha, porque Marinho, agora em setembro de 2020, também anunciou sua saída. Ou seja, restou apenas Testoni. E, como ele mesmo lembrou na entrevista, nem o próprio Testoni é mesmo da formação original do Casa, grupo cujo embrião surgiu de outra banda da época, Os Incríveis. O tecladista entrou para o segundo álbum do Casa, em 1975.

Bem, este ano o Casa das Máquinas já lançou três singles: A Rua, Brilho nos Olhos e Tão Down. E as músicas têm a assinatura da banda, classic rock e rock progressivo. Esta última então, tem sido bastante comparada à clássica Casa de Rock, de 1976.

Testoni ainda diz que quando morrer pretende que alguém mantenha o Casa das Máquinas vivo. Ou seja, a banda pode continuar mesmo sem ter nenhum dos integrantes da década de 70. E por que não? Não estou entrando na parte jurídica – quem é o dono da marca, mas pensando musicalmente. Quando uma banda acaba?

Ouvindo o som que o Casa lançou em 2020, para mim a banda continua existindo. No momento, acho que é o que importa.

Sobre o autor

Xandão

Zagueiro, roqueiro e jornalista. A ordem depende da situação.