Kaneda em escola na periferia de São Paulo (Divulgação)
Kaneda em escola na periferia de São Paulo (Divulgação)
Reportagem Especial

Sistema de Soma tem mais de 1000 participações

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O novo álbum da banda Asfixia Social chegou em 2020. Mas o lançamento de Sistema Social começou no ano anterior, com um livro. Além das 10 músicas inéditas, o grupo lançou também um livro em outubro de 2019, parte de um projeto sócio-educacional que passou por escolas e ONGs da periferia de São Paulo, levando cultura a cerca de mil crianças, que participaram do álbum com ilustrações.

“A gente faz um trabalho social com o lance da música, da arte em si para passar para a molecada um pouco desse conhecimento.”

Kaneda

‘Ao longo de três anos a gente fez muita oficina, show, um monte de coisa em várias escolas públicas aqui de São Paulo. Eles ilustraram esse livro com a gente. Tem várias ilustrações. A ideia é justamente essa, transmitir a mensagem da poesia, valorizar a poesia dentro da música, com essa expressão crítica’, explica Kaneda.

O vocalista do Asfixia Social lembra com alegria uma apresentação. Um dos últimos shows que a gente fez em 2019 foi numa escola, e a gente quase não sai de lá. Parecia uma avalanche de criança. Arrepiante a experiência com a molecada’, conta.

Encontre aqui o livro-álbum ‘Sistema de Soma – A Quebrada Constrói’

Um dos projetos mais emblemáticos do Asfixia Social é o Festival Da Rua Pra Rua, que completou sete edições em 2019. Kaneda conta que a banda, por conta de sua sonoridade diferente, às vezes não conseguia entrar em alguns eventos, mesmo da cena underground.

‘Então começamos a criar nossos próprios eventos. O festival Da Rua Pra Rua é uma dessas atividades que a gente faz sempre. Ano passado e retrasado, mais de 100 artistas passaram pelo festival. A gente procura fazer um festival legal. Muitas bandas se conheceram, um intercâmbio cultural. A gente chama de um encontrão. O festival é uma dessas frentes’, explica.

Na sétima edição, o festival trabalhou, por exemplo, na arrecadação de alimentos para o projeto Todos Somos Um, ajudando a comunidade da Favela do Boqueirão, em São Paulo.

‘A gente entrou nesse lance de trabalhar com educação também, que é uma extensão da música. Tem várias coisas acontecendo, a gente faz um trabalho social na favela do Boqueirão, na zona sul de São Paulo, e várias paradas assim. E esse trampo cultura e educacional que a gente se identifica muito’, diz Kaneda.

DIRETOS
Conseguir levar sua mensagem a mais pessoas, e não apenas aos que já estão no mesmo lado de ideias do Asfixia Social, é um dos difíceis trabalhos da banda. ‘A gente já é extremamente explícito no que a gente fala. Cabe a gente discutir mais com as pessoas, filhos, amigos, parentes. Esse afastamento social, que a rede social causou, gera isso: as pessoas estão em bolhas’, lembra Kaneda.

Marcelo explica que o início desse complexo projeto social da banda passa pela construção das letras. ‘A música é um tipo de comunicação amplo e irrestrito. A gente fala para qualquer pessoa. Por isso a gente se esforça para se fazer claro. O processo de composição é cansativo porque a gente tenta transformar tudo o que gente pensa e fala claro o suficiente para qualquer pessoa poder entender’.

‘A gente gasta um tempo em cima das letras para dar uma lapidada para que a gente possa atingir o maior número de pessoas possível. O desafio é falar para todo mundo, falar inclusive para o cara que pensa o contrário’, completa o produtor e músico.

FUTURO
Com a quarentena, o Asfixia Social teve, como muitas outras bandas, parar ensaios e encontros presenciais. Mas, aos poucos, o grupo está voltando a trabalhar. ‘A gente tem uma consciência maior dos protocolos, do que a gente tem que fazer para se resguardar. Uma sala grande, de máscara’, cita Marcelo. ‘Mas tem que retomando porque ano que vem tem coisa marcada, tem festival fora do pais’, continua.

O foco da banda já está em 2021. ‘Retomamos o processo, tanto de composição quanto de ensaio. Já para se preparar para o ano que vem. Temos agenda, mas estamos parados há sete meses, só fazendo remotamente. E no palco é diferente, tem que estar tocando junto há mais tempo. Está difícil fazer isso’, completa.