Edu, Victor e Vini, da banda The Velvicks (Reprodução)
Edu, Victor e Vini, da banda The Velvicks (Reprodução)
Reportagem Especial

Encontros e reencontros dão vida a Velvicks nos EUA

De encontros e reencontros surgiu, longe de casa, uma grande banda de rock’n’roll. Formada por brasileiros na competitiva e receptiva Nova Iorque, a banda The Velvicks vem conquistando espaços e destaque desde antes de ter lançado seu EP de estreia, Run, em julho deste ano.

“A barra é muito alta. A qualidade básica da galera aqui de Nova Iorque é muito alta. Está todo mundo trazendo o top of their game.”

Victor Nader

‘Foi muito inusitado como tudo foi acontecendo’, diz Vinicius Martins, o primeiro a desembarcar nos Estados Unidos, em janeiro de 2012. Victor Nader e Edu Marsson foram pouco depois. Além dos três, Apoena Frota participou dos trabalhos para a gravação e criação de Run, além de ter tocado em diversos shows com a The Velvicks.

A formação da banda, porém, foi acontecendo em reencontros nos EUA. Isso porque Victor e Edu tocaram juntos em um ‘embrião’ da Velvicks, a Optic Yellow Felt. Vinicius chegou a fazer um teste para tocar com eles, mas na época não foi escolhido, o que hoje gera boas risadas entre eles.

Com a Optic, Victor e Edu conheceram Roy Cicala, produtor musical famoso por trabalhos com grandes nomes da música como John Lennon, Frank Sinatra, Sting, Elton John e muitos outros. E foi Roy quem acabou fazendo a ponte para que a dupla mudasse definitivamente para os EUA.

‘A influência mais forte que ficou na Velvicks foi o Roy. Foi o cara que abriu os Estados Unidos para a gente. Eu pessoalmente estou aqui só por causa dele. Essa é a maior influência da Optic para a The Velvicks’, relembra Edu sobre o produtor, morto no início de 2014.

Para Victor, a maturidade ajuda a definir bem as diferenças entre o antigo projeto, que lançou um álbum ainda no Brasil, para a Velvicks. ‘A gente ficou mais maduro e entendeu que se você consegue fazer um rock legal, não tem desafio maior’, diz. ‘É fácil experimentar. Agora fazer uma coisa que quatro caras fazem num palco, fazer aquilo soar interessante, aceitar esse desafio e fazer uma coisa que faça sentido, é a intenção que a Velvicks tem como banda’, continua.

Já em solo americano, houve o reencontro com Vinicius. E também começaram a acontecer algumas apresentações em bares e, depois, festas e pequenos shows na casa onde Edu havia ido morar. Foi realmente o início da The Velvicks. ‘O ambiente, o espaço, tempo exato, temperatura certa para a parada virar’, define Victor.

DRAGÃO QUE NÃO SE CONSEGUE PEGAR
A The Velvicks nasceu na cena nova-iorquina, de muita competição e qualidade, com o pensamento de não ‘ficar para trás’. E esse é o grande impacto na formação da banda. ‘A influência maior (de Nova Iorque) é tentar fazer o máximo, o melhor’, afirma Victor Nader.

‘A barra é muito alta. A qualidade básica da galera aqui de Nova Iorque é muito alta. Está todo mundo trazendo o top of their game’, continua. ‘Você chega e tem uma formação musical, sou músico profissional, mas aqui é outro rolê. Você sai e sempre vai ver alguém melhor tocando, muita competitividade. Isso dá um chute mesmo, não vou ficar para trás’, completa Vinicius Martins.

Para Edu Marsson, a experiência destes anos de Nova Iorque vai deixando a banda mais preparada. ‘Você já está dando tudo e ainda falta um pouco. Você está sempre seguindo um dragão que você não consegue pegar. Mas vai deixando você cada vez mais pró, mais casca grossa’, diz o baterista.

O músico, porém, agradece todo apoio recebido pela banda. ‘Aqui é muito competitivo e tal, mas você recebe um nível de ajuda dos nova-iorquinos absurdo. A gente só está aqui porque um monte de americano ajudou a gente a ficar aqui. Não ia ter rolado’, afirma Edu.

NINGUÉM MEXE NO BEBETO
A história da The Velvicks foi sempre de sons autorais. Desde os primeiros shows, com composições de Victor Nader, até as novas músicas, contando com a participação dos outros integrantes, a banda nunca deixou de trabalhar com sons próprios. Até por exigência das casas de shows em Nova Iorque.

Dessa forma, além das cinco músicas já lançadas no EP Run, a The Velvicks já tem um repertório para novos lançamentos. ‘Estamos conversando com gente aqui e em UK que quer ajudar a gente a lançar. Então o que for mais interessante e inteligente a gente vai acabar fazendo. Mas se lança mais dois singles, um EP inteiro, ou um álbum inteiro, tudo é possível’, explica Victor.

No novo material a The Velvicks irá apresentar também alguma sonoridade diferente das cinco primeiras músicas lançadas. ‘Tem coisa bem diferente, coisa bem espaçada, bem Floyd, e tem outras que continuam sendo essa parada motor ligado’, continua o vocalista.

Além das novidades na sonoridade, desta vez a The Velvicks irá apresentar também seu primeiro cover – You’ve Lost That Lovin’ Feelin’, famosa canção dos Righteous Brothers, originalmente gravada em 1965, e de cena marcante no filme Top Gun, com Tom Cruise.

Aliás, a continuação do filme, que será lançada em julho de 2021, 35 anos após o original, deverá definir quando a Velvicks irá soltar sua versão da música. ‘A gente queria o desafio de fazer uma música cover. Mas não está tendo essa pressa de lançar. A gente vai esperar a onda do Maverick, do Top Gun. A gente vai aproveitar essa onda e surfar essa parada junto’, explica Victor.

Com seu time de multi-instrumentistas, uma certeza a Velvicks tem. Por enquanto, Victor Nader continua na guitarra e vocal, Edu Marsson na bateria e Vinny Martins na guitarra. ‘A gente achou essa formação. Seleção brasileira de 94, não dá para trocar ninguém agora que o time está ganhando. Final contra a Itália e você vai tirar o Bebeto? Entrei tocando guitarra e acho que foi até o fim. É uma forma que meio que fez com que o som da Velvicks virasse o que é hoje’, explica Vinny.

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