Mario Bross, em cena do clipe I Feel Invisible (Reprodução)
Mario Bross, em cena do clipe I Feel Invisible (Reprodução)
Reportagem Especial

Londres cria lado estudioso na banda Wry

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Mario Bross é um estudioso da música e do rock. Ou melhor, passou a ser. E a experiência de viver em Londres que teve com a banda Wry, da qual é um dos fundadores, vocalista, guitarrista e letrista, teve forte influência nisso. Essa vivência inglesa aconteceu entre os anos de 2001 e 2009.

Uma das principais diferenças que ele vê com o Brasil é o fato de o rock fazer parte da cultura e da rotina dos ingleses. ‘O rock no Brasil é adaptado. Não faz parte de nossa cultura. E na Inglaterra não, faz parte da cultura. O rock lá meio que sempre fez parte’, analisa.

Mas o músico vai além. Mario surpreendeu-se com o nível de conhecimento sobre música de todos os ingleses. ‘As pessoas lá têm noção de música já na escola. Lá em Londres eu percebi que qualquer pessoa entendia de música, de estrutura, as partes de uma música’, conta o brasileiro.

E, na capital britânica, resolveu também investir um tempo de estudo. ‘Em 2004 a gente parou com a banda porque eu queria estudar as bandas. A gente pegou Nirvana, Beatles, My Blood Valentine, Legião Urbana, The Cure e acho que Rolling Stones, se não me engano, e ficou estudando as músicas deles’, relembra.

‘Eu escutava música de um jeito bem infantil. A gente resolveu parar, e voltou com Flames in the Head, que já foi um pouco desse aprendizado. Que é nosso disco que ecoa até hoje. E o Noites Infinitas é como uma evolução disso’, avalia Mario Bross.

Esse desejo de estudar, inclusive, foi uma postura bem diferente daquela que tinha mais no início da banda. ‘Na minha cabeça, se eu fizesse aula de música eu ia ficar chato. Ia virar jazzista, que na verdade nem é chato, não sei porque eu pensava nisso. Você aprender teoria da música vai abrir sua cabeça, vai facilitar. Você vai saber o que quer fazer naquela música. Não vai perder sua essência’, explica.

REVELAÇÃO E CONSELHO
Esse lado estudioso de Mario Bross completa-se no momento em que o músico faz o que realmente gosta: criar e compor. E, com todas as limitações impostas pela atual pandemia de Covid-19, o frontman da Wry acabou tendo uma revelação sobre seu papel nesse universo musical.

‘A primeira vez na vida que eu me senti artista. Eu sempre me senti um cara da banda, vocalista do Wry, hobby. Mas a pandemia fez eu me sentir artista. Eu tenho que criar. (O) que mais me satisfaz é quando eu estou criando alguma coisa. A arte alimenta as pessoas’, analisa Mario.

E, com esse pensamento, o músico também aconselha a bandas e artistas mais jovens. Aliás, Mario Bross conta que toda a experiência e tempo de carreira chegou a pesar na volta da Wry após um hiato de quatro anos, entre 2010 e 2014. ‘No primeiro ensaio eu tive esse pensamento que eu iria me sentir velho. Mas a hora que eu dei o primeiro acorde isso tudo foi lavado, não existia mais isso, esse negócio de idade’.

Para os mais jovens, portanto, o vocalista e guitarrista da Wry diz: curtam a música. ‘Se você está tocando e sente uma felicidade tocando, não importa se a outra banda está famosa e você não está. Faça o que você gosta de fazer. Não tem muito problema. Tem que deixar a vergonha de lado. Dá para você curtir, tocar no Brasil e curtir. Cresce (a cena rock) devagar, mas cresce’, finaliza.