A banda Electric Gypsy (Iana Domingoss Divulgação)
Reportagem Especial

Com pés no chão, Electric Gypsy renova o Hard Rock

Com planejamento, mas deixando a coisa rolar. Rock clássico e marcante, mas sem ficar repetitivo. Com essas dualidades e uma forte veia empreendedora, a Electric Gypsy partiu do treino como banda cover para lançar seu impactante primeiro álbum.

“O hard rock anos 80 é onde todo mundo se une na mesma paixão e acaba saindo esse estilo”

Nolas

Também chamado Electric Gypsy, o trabalho foi produzido e mixado por Cris Simões, no Pacific Studio, em Belo Horizonte. E surgiu após o EP que a banda havia lançado no fim de 2020, o Lady Luck, chamar atenção de Carlos Chiaroni, o Carlão da Animal Records.

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‘A gente não planeja as coisas. Elas acontecem. Esse EP caiu no colo do Carlão da Animal Records, em São Paulo. Ele entrou em contato com a gente, pelo Instagram mesmo, para fazer a distribuição do CD físico no Brasil, Europa e Japão’, relembra Nolas.

A Electric Gypsy é formada por Guzz Collins (vocal e violão), Nolas (guitarra), Pete (baixo) e Robert Zimmerman (bateria) – este sendo o último a entrar na banda e o único que não adota um nome artístico. O baterista juntou-se ao grupo em 2019 e ajudou na virada da chave para a Electric Gypsy.

Com seis músicas no EP, a banda então entrou rapidamente em estúdio para poder gravar outras quatro e completar o álbum. ‘Foi inesperado depois que a gente lançou o EP, a gente recebeu a proposta e achou legal fazer essa distribuição para outros mercados’, diz Pete.

OITENTISTAS
Com visual caprichado, músicos afiados e uma bela produção, a Electric Gypsy marcou posição no terreno do Hard Rock com muitas referências aos anos 70 e 80 e grupos como Van Halen, Whitesnake e Mötley Crue – banda da qual faziam covers antes de se arriscarem com músicas próprias.

Nolas, no entanto, explica que o processo de criação da banda não é direcionado para o Hard Rock. ‘Dentro da banda a gente nunca parou para conversar “somos uma banda de x y e z e vamos fazer esse tipo de som”. Elas são uma mistura de várias coisas. Além dessas influências, desde o visual até as composições, é muito legal porque cada um da banda tem gostos musicais muito diferentes’, conta.

‘Antes de qualquer coisa, a gente tenta fazer uma canção, voz e violão, que a gente considere boa. Uma música boa, depois ela acaba pegando essa roupagem. A gente gosta de se assumir como uma banda de rock’, continua o guitarrista.

Essa virada de chave começou ainda em 2019 e ganhou força com a entrada de Robert Zimmerman na banda. ‘A gente já tinha começado a ter algumas coisas autorais. Tínhamos umas ideias prontas e foi isso que chamou atenção do Robert. Foi uma coisa bem natural, o Robert entrou, e foi acontecendo até chegar agora’, relembra Pete.

‘Ele trouxe uma energia nova, vamos tentar levar isso a sério como uma empresa e fazer o investimento necessário. As músicas foram acontecendo de uma maneira muito natural. As composições foram rolando, surgiu a oportunidade de gravar e foi aquela coisa fora de nosso controle, uma coisa acontecendo atrás da outra’, completa Nolas.

NATURAL, MAS COM PÉS NO CHÃO
O resultado do trabalho da Electric Gypsy ao longo de 2020, apesar da pandemia de Covid-19, pode ter surpreendido e gerado oportunidades que não estavam exatamente planejadas pela banda. No entanto, os músicos deixam bem claro que não estão entrando neste universo autoral como um hobby.

‘A gente se uniu nisso, nesse ponto em comum de tomar a banda como um negócio’, conta Pete sobre o início do trabalho do quarteto para lançar seu próprio material. Na mesma linha, Nolas reforça a ideia de ter a banda como uma empresa, pensando em planos, prazos e metas.

‘Quando você pensa que uma banda é uma empresa com funcionários, tem setores, e a música é o produto. A gente como artista acaba romantizando tudo. Tem essa coisa do ego, a música é arte’, diz. ‘Não é achar que a gente faz as coisas por dinheiro e de uma maneira fácil para vender a banda. Cada um da banda assume sua função dentro da empresa’, explica.

Agora a Electric Gypsy já olha para o futuro até dois anos a frente. ‘A pandemia ensinou que a gente tem que estar preparado para tudo o que vier. Estamos planejando sim, da melhor maneira possível, os anos de 2022 e 2023. O que eu acho que a gente não deve lançar é um outro álbum porque a gente acabou de lançar’, afirma Nolas.

No entanto, enquanto aguarda a oportunidade de lançar seu álbum ao vivo, a banda trabalha em novos sons. ‘Essas músicas estão gravadas. A gente não teve oportunidade ainda de mostrar esse material ao vivo para a galera’, revela Pete.

Além disso, a banda sonha com voos mais distantes. Em junho o álbum Electric Gypsy será lançado no mercado europeu. ‘Da mesma forma que quando o EP saiu, ele trouxe umas oportunidades, a gente espera que, o CD saindo na Europa, ele traga mais oportunidades’, completa Nolas.