Cena do clipe 'O Esquisito' (Reprodução Youtube)
Reportagem Especial

Carlos usa experiência para Salto Grande e trabalho 100% solo

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Com um Salto Grande, Carlos visitou Caíque em início de carreira, levando junto muita bagagem que ele acumulou em praticamente dez anos no rock. E, ao fazer esta visita, o multi-instrumentista vê também como esta experiência pode servir como uma referência para as bandas e artistas que estão começando e tentando ganhar visibilidade.

Carlos e Caíque Fermentão são o mesmo músico, a mesma pessoa. Foi como Caíque que ele surgiu no cenário do rock’n’roll nacional com a banda Corona Kings, em 2012. Com ela, lançou três álbuns, antes de se entregar em vários projetos – os atuais e ativos são Zander e Ator Morto, como baterista. Ele também toca baixo na Devilish, que está pausada, além de gravar para várias bandas e artistas no Estúdio Costella.

O primeiro álbum do Corona Kings foi praticamente composto e gravado pelo próprio Caíque – Felipe Dantas, que viria a ser o guitarrista da banda, fez apenas alguns solos. A experiência de gravar tudo, voz, guitarra, baixo e bateria, reapareceu agora, com o lançamento de seu primeiro álbum solo, o Salto Grande. Neste projeto, adotou seu nome de batismo, Carlos.

Entre os dois álbuns, Carlos acredita que seu lado ‘esponja’ teve papel importante. ‘Uma qualidade do artista é o cara que consegue ser uma esponja. Eu estou sempre aprendendo. É o tempo todo buscando informação. Estou há década já fazendo isso, claramente você vai evoluindo’, diz o músico.

Mas, além disso, ele também se sentiu bem livre e independente para criar seu trabalho. ‘Eu acho que o principal para esse disco foi eu tacar um foda-se muito grande. Eu cresci no interior do Paraná ouvindo música sertaneja a vida inteira. Aprendi a cantar ouvindo Zezé di Camargo e Luciano. Por que não vou fazer uma música meio caipira no disco? Faz parte de mim’, conta Carlos.

Apesar de ser multi-instrumentista, o novo trabalho também proporcionou a chance de Carlos voltar a ocupar a posição que mais ama. ‘Eu amo tocar baixo, amo tocar bateria. Gosto de verdade. Eu sei que a bateria carrega a banda. Sei o que estou fazendo ali está levando a banda inteira. E eu toco bateria em bandas muito boas. Mas o que eu mais gosto de verdade é tocar guitarra e cantar. E cantar principalmente. E eu sentia muita falta’, revela.

FIM DE TUDO?
Despontando na cena, com três álbuns gravados, o Corona Kings mudou-se de Maringá, no interior do Paraná, para São Paulo. E esta mudança foi o início de uma montanha-russa para Carlos. Primeiro, descendo a rampa com o fim de sua primeira banda.

‘Quando o Corona acabou eu fiquei triste, a sensação não foi boa. Eu fiquei com uma coisa na cabeça do tipo ‘eu dei errado’. Tinha que ter ficado em Maringá, podia estar ganhando dinheiro num emprego normal’, relembra. Com muito potencial, a banda foi definhando aos poucos até acabar.

Com todos os músicos morando juntos, Carlos vê que o excesso de relacionamento começou a gerar alguns problemas entre eles. ‘Começou a gerar um atrito num negócio que era muito família’, conta, além de revelar também alguns erros. ‘Eu admito que eu perdi o foco nos primeiros anos’, fala o músico.

Com a sensação de ter dado errado, Carlos montou a Ator Morto com Alexandre Capilé, do Sugar Kane e parceiro de gravações, troca de ideias e muita música no Estúdio Costella. Além disso, entrou para o Zander como baterista. ‘Foi o que me salvou, que me deu tesão para continuar’, diz.

ACHANDO ESPAÇOS
Além de Carlos – como o Caíque Fermentão, e Felipe Dantas, o Corona chegou em São Paulo ainda com Antônio Fermentão – irmão do Carlos, e Murilo Benites. Apesar do fim do grupo, estes dois últimos também conseguiram continuar o tocar e lançar músicas em novas bandas.

Murilo, já na fase final do Corona, começou a tocar com Karen Dió e formaram o Violet Soda. E Antônio Fermentão é o atual baterista da Deb and the Mentals e também da Putz. ‘Isso aí me dá orgulho. Eu acho que é um fruto legal da banda’, diz Carlos. ‘Você vê o talento que a banda tinha e me dá um orgulho. Eu fico orgulhoso’, completa.

Outro fruto que Carlos está colhendo agora é o de ver e ajudar novas bandas a se lançarem no mercado, ao lado de outros nomes, como Deb Babilônia, Karen Dió, Alexandre Capilé e muitos outros nomes. ‘Eu já fui a banda do interior que olhou os caras de São Paulo e ficou “o que eu não daria para abrir um show desses caras”. Eu vejo o impacto sim que tem essa cena’, diz.

‘Tem um valor muito grande que vai muito além de a banda estar famosa, de ter tantos plays no Spotify. É um negócio que inspira mesmo’, afirma Carlos, relembrando o próprio começo. ‘Eu já fui esse cara que ficava mandando mensagem. Eu conheci o Capilé assim, por sinal’, conta.

‘Eu mandei uma mensagem para o Soundcloud do Sugar Kane e ele me respondeu. Ouviu meu som, que eu tinha acabado de lançar, o primeiro disco do Corona. Ele me respondeu “eu amei o som de sua banda, nós vamos tocar em Maringá, quer abrir pra gente?’. E disso, hoje eu estou em São Paulo. E eu hoje toco no Zander, toco no Devilish, toco no Ator Morto, fiz turnê o Brasil inteiro, porque eu mandei uma mensagem”, relembra feliz.

Para Carlos, inspirar novas bandas e artistas é uma recompensa. ‘Não é sendo prepotente, mas se eu for o Sonic Youth do próximo Nirvana, eu estou feliz pra caralho. Se eu conseguir ser a inspiração de alguém que vai ser muito foda, para mim vai ser uma realização da vida’.

FUTURO
Em abril a Ator Morto, com Caíque Fermentão na bateria, lançou seu álbum Extracoexistencial. Com o Zander, o músico tem lançado um single por mês e, em breve, sairá o novo disco do grupo. Mas, com tudo isso, ele ainda consegue compor e fazer planos para shows com seu novo projeto, o Carlos.

‘Eu acabei de lançar meu primeiro disco, estou compondo o segundo e quero gravar este ano ainda’, revela. Para os shows, Carlos terá um grupo muito especial ao seu lado, aqueles que considera serem seus melhores amigos.

‘Tenho a banda montada e é bem legal. Até nisso é legal porque engloba tudo o que eu participo. A banda sou eu, tocando guitarra e cantando, o Paulo, da Devilish, toca a outra guitarra, o Capilé toca o baixo, e o meu irmão toca a bateria. Então eu tenho o baterista do Corona Kings, o guitarrista do Devilish e o baixista do Ator Morto’, revela.

Sem muitas amarras neste novo projeto, o músico vê a escolha como a melhor para poder curtir. ‘Podia achar alguém para criar uma experiência nova. Mas se eu for fazer uma turnê, um show, eu quero que seja tão sem pressão, que seja só para curtir, que vou chamar os meus melhores amigos da vida, que são exatamente essas três pessoas. Minha microbolha’, finaliza.