A banda Corja (Divulgação)
Reportagem Especial

Corja pesa a mão no som e nas letras em álbum de estreia

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Riffs pesados, bateria nervosa, inspirando letras cheias de raiva, sarcasmo e um vocal gutural. Toda essa mistura chegou em junho com um insulto. Ou melhor, com o Insulto, álbum de estreia da banda Corja, do Ceará, lançado pela Electric Funeral Records.

“O Corja trouxe uma proposta nova para a cidade de Fortaleza. Não tinham muitos grupos que tentavam se expressar neste subgênero. Então a galera abraçou.”

Raul Marques, guitarrista da Corja

A Corja que lançaria Insulto começou a ganhar a forma atual em 2017, com a chegada da vocalista Haru Cage. Até então o grupo estava trabalhando apenas com a parte instrumental. Haru também ficou responsável pela composição das letras do que viria a ser o álbum de estreia da banda.

Em entrevista ao Bem Rock, ela relembra que logo em suas primeiras experiências com a Corja já sentiu a energia para compor. ‘Já com o instrumental bateu aquela coisa. Quando eles me chamaram para fazer o teste, (pensei) é nisso que eu tenho que ficar, nisso que eu tenho que colocar minhas letras, minha expressão’, diz Haru.

Insulto começou a nascer ainda com a primeira formação da Corja. Além de Haru, a banda contava com Silvio Romero na bateria, Anilson Rodrigues na guitarra e Marcos Barata no baixo. Antes do lançamento, porém, a banda passou por algumas mudanças, com as saídas de Anílson e Marcos. Hoje, a Corja tem ainda Raul Marques e Darlan Pinheiro nas guitarras, além de Pedro Felipe no baixo.

Haru conta também que o fato de o álbum ter esse lado crítico, abordando temas como hipocrisia, desigualdade, covardia etc, não foi exatamente planejado. ‘A gente tinha ensaio de criação de música. Eu ia mentalizando para ver o que eu iria fazer. Eu creio que foi uma junção. Foi juntando uma a uma, não foi nem tão organizado’, explica.

Este trabalho desde 2017 poderia ter sido lançado mais cedo. Mas a agenda cheia da banda e as mudanças de formação adiaram a chegada de Insulto. ‘Era para ter saído há algum tempo. A gente sempre tinha muita demanda de show. Então quando um integrante novo entrava, o coitado tinha que estar preparado na bala para fazer um monte de show. A gente não descansava’, relembra Haru, brincando.

Apesar de toda a crítica social, a crise sanitária no Brasil, com falta de vacinas e descaso sobre os riscos da pandemia de Covid-19, não entrou para o álbum. ‘A gente já tinha fechado as ideias, toda a temática. Mas no próximo álbum a gente vai colocar muito ódio. O lance do desgoverno de todo esse lance assassino, criminoso. Então a gente tem muito combustível para usar no próximo álbum’, planeja a vocalista.

NOVO ÁLBUM NOS PLANOS
Com o avanço recente da vacinação no Brasil, a banda já sonha com a oportunidade de voltar a fazer shows, agora com sua nova formação. E divide a atenção entre encerrar o ciclo de lançamento de Insulto com a criação de músicas para um segundo álbum.

Seguindo todas as recomendações de saúde necessárias, a banda esteve em São Paulo para gravar a participação em alguns programas. ‘A gente teve a oportunidade de gravar muito conteúdo e vamos poder usar esse material para continuar divulgando o álbum e encerrar este ciclo’, afirma Raul.

Após todas as dificuldades em função da pandemia, o guitarrista celebrou o fato de ter podido tocar as músicas junto com a banda nas gravações. Mas lembra que agora, com os novos integrantes, a ideia é começar a focar em um novo trabalho e menos em Insulto. ‘Um disco que não foi criado pela banda que é composta hoje em dia. Por isso que a gente já quer finalizar’, conta.

Entre esse trabalho de finalização do lançamento de Insulto, a banda ainda deve lançar pelo menos mais dois vídeos. Um lyric vídeo para O Jogo. E um clipe para Muros Altos. ‘A gente agendou um estúdio em São Paulo para fazer a captação de imagens e misturar com um pouquinho de backstage, fazer um clipe mais voltado para a performance da banda, em estúdio, mas com cenas de nossa viagem’, explica Raul, que está trabalhando na produção do vídeo.

Já pensando no novo trabalho Haru admite a possibilidade de uma mudança maior em suas letras. ‘Estou realmente pensando no lance do inglês. Até para atingir mais público. Mas eu não penso em abandonar o português. Dá para mesclar. Talvez um EP de quatro músicas, aí lança em português. E quem sabe o álbum venha em inglês. Uma parada assim’, termina a vocalista.