O trio Relespública, de Curitiba (Fabiano Ferreira Divulgação)
O trio Relespública, de Curitiba (Fabiano Ferreira)
Reportagem Especial

Relespública dá início a mod revival com o álbum ‘Sem Ninguém ao Lado’

O movimento teve origem entre o fim dos anos 50 e início dos 60 no Reino Unido. Mas pode-se dizer que seu ‘revival 2021’ começou primeiramente no Brasil, mais precisamente em Curitiba, com a banda Relespública. Com mais de 30 anos de carreira, o grupo lançou em junho deste ano o álbum/EP Sem Ninguém ao Lado.

Logo na primeira música deste trabalho, o primeiro de estúdio em 13 anos, a Relespública já dá o recado: Mods Are Back Again. ‘O mod revival, aqui no Brasil, está acontecendo de novo através da Relespública’, conta Fábio Elias, vocalista e guitarrista da banda curitibana, em entrevista ao Bem Rock. Além de Fábio, o grupo tem ainda Ricardo Bastos no baixo e Emanuel Moon na bateria, todos integrantes originais da banda e juntos desde 1989.

Mods vem de modernistas, uma subcultura britânica muito ligada à moda e que também teve impactos marcantes na música. Um dos grandes expoentes no rock’n’roll e influência para a Relespública é o The Who. A ópera-rock Quadrophenia, da banda britânica, de 1973, ganhou um filme seis anos mais tarde.

Em 2020 seria lançado o filme To Be Someone (veja o trailer, em inglês), uma espécie de continuação, muitos anos mais tarde, contando também com o elenco original de Quadrophenia. Em função da pandemia, porém, o lançamento ficou para este mês de junho, aumentando a força do atual mod revival ‘lançado’ pela Relespública.

‘Vamos lançar material juntos, no mesmo pedaço da história do mundo. A Relespública está lançando o trabalho Mods Are Back Again com o revival mod inglês, com um filme super importante’, celebra Fábio. ‘Eu fiquei radiante, empolgado, parecendo um moleque. Dessa vez a gente chegou primeiro. A gente se adiantou aos ingleses’, diverte-se.

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A empolgação de Fábio Elias tem razões históricas. ‘Eu me considero um mod desde sempre. Até falo isso no poema’, conta, citando o Mod Poem, de Jock Scott, que ele recita no início da música Mods Are Back Again. Ele relembra também de seu início de carreira e um conselho de seu pai.

‘Meu pai um dia me falou, Fábio, vai tocar, coloca esse terninho aqui. É legal, em respeito ao público. Isso vem do jazz, do blues, dos grandes cantores, pianistas, da música negra. E isso me influenciou demais. Eu não gostava de usar jaqueta de couro, pulseiras com espeto. Meu negócio era mais essa coisa de dançar, de curtir’, explica.

PASSADO, PRESENTE E FUTURO
O período de praticamente 13 anos sem gravar um álbum de estúdio – o último havia sido Efeito Moral, de 2008, trouxe a banda para uma nova realidade, com as plataformas de streaming bombando, enquanto os discos de vinil também ganham força, mas de forma diferente daquela popular de décadas passadas.

‘Não foi por falta de música ou de vontade. Faltou oportunidade e a gente entender também qual era do mercado fonográfico. A gente passou desde o tempo do vinil, CD, DVD, depois as plataformas digitais. A gente é uma banda que viveu todas essas mudanças, evolução ou não. Agora o vinil está voltando a ser de novo coqueluche’, diz Fábio.

Com estas mudanças, a Relespública já planeja seus próximos lançamentos também como singles e EPs, e não mais álbuns com dez ou 12 músicas. ‘Será que é isso que as pessoas estão a fim de ouvir hoje? Elas vão absorver isso tudo hoje? Então vamos soltando singles, que é uma coisa que a gente não tinha feito ainda’, conta o músico, prevendo que até o fim do ano estejam novamente em estúdio para voltar a gravar.

Assim como no álbum Sem Ninguém ao Lado, que tem cinco músicas que já faziam do repertório da banda em ensaios e shows, mas que nunca haviam sido gravadas, a Relespública irá continuar revirando seu baú. ‘Outras músicas ficaram de fora e a gente vai gravar ainda mais para frente. A gente tem muita coisa para fazer ainda, este é só o começo’, avisa.

Com isso, a Relespública irá continuar ampliando sua história no rock’n’roll. ‘A gente já é patrimônio cultural de Curitiba, do Paraná. Falar de rock de Curitiba e do Paraná daqui 50 anos tem que citar a gente. Isso é história. Isso ninguém tira da gente, sou muito orgulhoso e feliz’, termina Fábio Elias.